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Entrevista com Silvio Oryn

Silvio Oryn

Div5: Nome?
Silvio Oryn: Silvio Carlos da Silva, mas sou mais conhecido por Silvio Oryn. Uma longa história envolvendo sonhos.

D5: Onde nasceu?
SO: São Paulo capital, em 1961.

D5: Tem filhos?
SO: De sangue não, mas tenho mais de 30 espalhados pela cidade (risos). São crianças que me chamam de pai, chamam a Adriana de mãe. Sempre estão lá na loja. Eu tinha um projeto chamado Guri, que agora infelizmente está parado porque meu trabalho estava ficando atrasado. A gente dava aulas de música para a criançada, ensinava matéria de escola através de brincadeiras.

D5: Como surgiu esse interesse pelos instrumentos musicais?
SO: Começou quando eu tinha uns 10 anos mais ou menos. Meu pai cresceu mexendo com isso lá no interior de Minas.Então passou pra mim. Fora que minha família era muito musical. Meu avô era sanfoneiro, tenho um tio que toca bandolim e um outro tio já falecido que trabalhava nas antigas emissoras de TV, fazendo música. Depois fui fazer uns cursos em 1995 também para me aprimorar Aprendi muita com o Fernando Sardo, trabalhando com materiais alternativos, instrumentos medievais.

D5: E sua história com a Rabeca?
SO: Aprendi sobre a Rabeca com o Valmir Rosa Lima de São Paulo. Nós fizemos uma troca. Eu o ensinava a montar a viola caipira e ele me ensinava a montar a Rabeca. Depois disso fui pegando mais informações com outras pessoas que você vai conhecendo na estrada, até mesmo com o Fernando Sardo. Detalhes importantes que resultam na Rabeca que construo hoje. A minha primeira Rabeca por exemplo era feita de latão.

D5: Por que saiu de São Paulo?
SO: Eu saí com a minha esposa Adriana de São Paulo em 2005. Tive uma série de problemas e não estava aguentando mais o ritmo da cidade. Sempre gostamos muito de São Luis (do Paraitinga), até mesmo por esse lado artesanal e rústico da cidade. Então com todos esses problemas conseguimos vir para cá. A cidade é maravilhosa! O povo é acolhedor e logo conhecemos a cidade toda. Me identifico muito com a cidade.

D5: Qual é o público que compra suas Rabecas?
SO: Geralmente são os turistas. Minha primeira Rabeca que vendi aqui (São Luis do Paraitinga) foi para um gaúcho que gostou do instrumento. O povo da região não compra muito não. Mas também já mandei algumas Rabecas pra fora. Tem Rabeca minha na Argentina por exemplo.

D5: Você fabrica outros instrumentos. Quais são os mais requisitados?
SO: Os que têm mais saída são a viola caipira e o charango. Nessa região aqui a viola caipira e o charango são muito fortes. Então vêm pessoas pra cá, só pra comprar os instrumentos, porque sabem que aqui tem bastante qualidade. Agora de Rabeca só tem eu e mais um rapaz de Ubatuba.

D5: O luthier de instrumentos rústicos é valorizado aqui no Brasil?
SO: Eu não me considero um Luthier. Luthier é um nome muito bonito e sofisticado. Eu sou mesmo é um construtor de Rabeca! Sou um caboclo, sou de raiz! Eu fiz cursos, aprendi com os melhores, mas sempre tento deixar meus instrumentos o mais rústico possível. Aqui no Brasil a gente tem essa coisa de mistura de raça, uma cultura tão rica e que não estão dando tanto valor assim. Estrangeiro quando vem para o Brasil, fica encantado com essa mistura. A gente já está tão acostumado, que nem repara mais nisso. Olha o grupo de vocês. Eu vejo sangue oriental, sangue africano, sangue europeu... Não existe coisa mais linda que essa! A gente precisa dar mais valor a nossa cultura.

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